Nem tudo é culpa dos isquiotibiais!

Está com dor na coluna? Alonga isquiotibiais! Dor no cóccix? Alonga isquiotibiais! Dor no nervo ciático? Alonga isquiotibiais! Dor nos joelhos? Alonga isquiotibiais também! Sempre ele, os isquiotibiais!


Falando assim, até parece que o trio Bíceps Femural + Semitendíneo + Semimembranáceo, os três musculos que compoem o famoso grupo muscular dos membros inferiores, os isquiotibiais (ITs), são os únicos responsáveis por todos os nossos problemas. Na verdade, não seria de todo o mal, afinal, se fosse somente esse o problema, pronto: alongaríamos os ITs e, tudo resolvido!


Seguindo apenas este raciocínio, é comum obtermos resultados importantes, pois não é incomum esse grupo muscular apresentar algum encurtamento, mas muitas vezes, longe de resolvermos o problema integralmente, ou seja, vem a nossa frustração e a do paciente, cuja expectativa segue adiada.


Quando nos referimos aos músculos dos membros inferiores, de grandes atuações sobre a coluna, quadril, joelhos, tornozelos, pés e até disfunções pélvicas, temos que lembrar que temos outros músculos, outros grupos musculares. E os pelvi-trocanterianos (piriforme, gêmeo inferior e superior, obturador interno e externo e quadrado lombar), adutores, gastrocnêmio e sóleo, e muitos outros, são isentos de todas as responsabilidades? Não fazem nada além das suas funções fisiológicas?


Há outro músculo que pode ser também tão limitante e problemático, possivelmente pelo sua habilidade em se aproveitar da fama dos ITs, o gastrocnêmio! Facilmente observo pacientes com "bom" alongamento de cadeia posterior, cuja queixa parece ser típica do sedentarismo e do tal encurtamento dos ITs. Mas, ao realizar testes específicos, obervo que o conhecido trio, está super bem, obrigada! Já o gastrocnêmio, só no oba oba!

Pacientes que sempre usaram saltos, ou aqueles praticantes de esportes de alto rendimento, com grande sobrecarga do tríceps sural, estes têm sofrido com o freio causado pelo gastrocnêmio. Que além de limitação dolorosa, pode levar a limitação no padrão da marcha ou limitação para ficar de cócoras, por exemplo.


Sendo assim, antes de sair apontando o culpado "mais óbvio", sentenciando esse ou aquele músculo, antes de generalizar os problemas, atribuindo um único culpado para todos os casos, é necessário investigar as origens dos sintomas, estudar as queixas, correlacionar com os hábitos de vida atuais e prévios, e claro, procurar uma avaliação detalhada, através de observação, palpação, testes específicos, para então o tratamento ser definido e pontual, podendo ser abrangente e global, porém sem perder a oportunidade de ser dado mais ênfase a quem mais importa.


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